
Religião neopagã surgida no século XX, a Wicca se organiza em torno do culto à natureza, dos ciclos sazonais e de uma visão espiritual em que a Deusa e o Deus ocupam lugar central — embora as tradições variem bastante entre si.
Por Aelius Varro
Na maior parte das vertentes wiccanas, as duas figuras divinas mais conhecidas são a Deusa, frequentemente associada à fertilidade, à Lua, à criação e aos mistérios da vida, e o Deus Cornífero — ou Horned God — ligado à natureza selvagem, à força vital, aos ciclos da morte e renascimento e ao aspecto masculino do sagrado. Em muitas tradições, eles aparecem como uma dupla complementar, e não como forças rivais.
A própria forma de entender essas divindades muda de uma linha para outra. Há grupos que tratam Deusa e Deus como entidades centrais da religião; outros os veem como grandes arquétipos espirituais que podem ser relacionados a nomes de antigas divindades pagãs, como Cernunnos, Ártemis, Diana ou Hécate. Essa diversidade é uma das marcas da Wicca moderna.
Entre os símbolos, o mais reconhecido é o pentagrama — ou pentáculo, quando aparece dentro de um círculo. Segundo a Britannica, ele é o principal símbolo usado por muitos praticantes da Wicca. Já interpretações amplamente difundidas no meio pagão associam suas cinco pontas aos elementos clássicos — terra, ar, fogo e água — além do espírito.

Outro emblema muito presente é a Lua Tríplice, formada pela lua crescente, cheia e minguante. Ela costuma ser ligada à Deusa e aos ciclos naturais, reforçando a importância da Lua dentro das práticas rituais e calendáricas wiccanas. Também aparece com frequência o símbolo do Deus Cornífero, usado para representar a energia masculina, a fertilidade e a ligação com o mundo natural.
A simbologia da Wicca também está fortemente ligada à chamada Roda do Ano, o calendário ritual que celebra as mudanças das estações por meio dos sabás. Isso ajuda a explicar por que a religião costuma ser vista menos como um sistema rígido de dogmas e mais como uma espiritualidade baseada em rito, natureza e transformação cíclica.
Embora seja frequentemente apresentada como inspirada em antigas tradições pré-cristãs, a Wicca, como religião organizada com esse nome, é moderna e ganhou projeção a partir da obra de Gerald Gardner, na Grã-Bretanha, em meados do século XX. Desde então, expandiu-se em diferentes vertentes, preservando um núcleo simbólico reconhecível, mas sem uma autoridade única que defina todos os seus deuses, ritos e emblemas.
